 |
|
|

Como saber se você realmente gosta de alguém de verdade? Se um dia você chorar ao ouvir os problemas dessa pessoa e acaba se sentindo um merda pois não pode fazer nada. Absolutamente nada. Apenas passando força e aparentando calma - mesmo estando sentimentalmente destruído.
E, apesar de tudo, de toda sua inutilidade, você consegue fazer com que essa pessoa se sinta a vontade de continuar ao seu lado e você, independentemente de tudo o que possa acontecer, se sente feliz.
Não importa se a pessoa lhe acorda as 3 da manhã para dizer que ainda está no hospital. Reclamando a ausência de médicos, que irá trabalhar amanhã, que não sabe mais o que fazer. Ou relatando apenas o cansaço, a falta de esperança.
A última coisa no mundo que você quer é magoar essa pessoa. E, quando isso acontece, deseja apenas que o mundo caia sobre sua cabeça.
Seu desejo é apenas ser Deus por 2 horas. Ou então recorrer a ele para que tudo volte ao seu normal. Mesmo não sendo religioso, acreditar que há alguém que possa fazer a vida voltar a ser colorida.
Mas esse preto e branco ainda reina. Fingindo pintar os muros, colorindo os sonhos e transmitindo esperança. Apenas para ver a pessoa que gosta sorrindo. E, quando ela sorri, você fica satisfeito. Com apenas um sorriso, essa é a melhor gratificação que você recebe. Sim, maior gratificação ainda haverá de existir.
Caso tenha se identificado com o texto acima, boa sorte. Você realmente está gostando de alguém de verdade. E posso dizer: sim, vale a pena.
Escrito por Xinim xinim às 15h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Há um ano, Andy jurava que a um passo – um curto passo – estava um motivo para acordar com o sol em seu rosto. Há um ano, a esperança o alimentava bravamente durante um cruel cotidiano atarefado e esmagador. E há um ano, toda tristeza enterrada pelo tempo acabara de ser totalmente esquecida. E nesse esquecimento, Andy não levou consigo os erros. Muito menos os acertos que teimara por acreditar ser por pura e descartada sorte. Descartada que um dia custou a manter-se firme, mais firme possível. Mas Andy, há um ano, estava contra o vento gelado em seu rosto. Cortava o gelo com a força do pressentimento por um estado de espírito melhor. Ou talvez apenas espiritualmente vivo. Com os melhores prazeres profanos e carnais existentes em cada região do planeta. Com uma vontade de viver. Alegremente, viver. Andy havia se esquecido que felicidade não o alimentava. Nunca o alimentara de sorrisos, quem diria que, há um ano, justamente há um ano, tudo poderia mudar? Sorte, destino? Não, Andy. Você se alimentara de uma falsa ilusão. Mais uma ilusão diante tantas que passaram em você. Mais uma passagem ingrata. Diante toda imagem ilusória ocorrida há um ano, sua queda foi gloriosa. Tanto ao perceber seu castelo construído sem uma forte estrutura. Ou talvez apenas pelo próprio cansaço de espírito que tanto o atormentava. E quem sabe, ainda o atormenta. E Andy desacreditou em tudo. Sentimentos, ilusões e realidades. Desacreditou em si. Desacreditou nas verdades informadas e nas teorias comprovadas. Para Andy, atualmente, os dias são dias e horas são elementos que vão decepando os dias. Mas há um ano, Andy, seu sorriso era tão bonito. Sentíamos que estava feliz. Depois de tudo, é difícil vermos Andy com o mesmo sorriso. Mesmo sorriso dado há algum tempo. Há exatamente um ano.
Escrito por Xinim xinim às 04h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Sentimentalmente ruim e sem nenhuma explicação (a não ser pelo fato de Plutão não ser mais um planeta) Paul ainda persistia em tentar enxergar as pessoas. Talvez aquele olhar arrogante mediocrizando qualquer ser humano que estivesse a passar em sua frente. Ou quem sabe a sua cabeça simples e confusa de um perdedor qualquer insubestimado a encontrar uma levesa para se reerguer.
Diante tantas pessoas que passaram em plena quinta-feira chuvosa, a sua probabilidade de continuar enterrado em seu próprio cemitério solitário aumentava. Aumentava e doía. A dor era constante naquele momento. Paul se viu parado, estagnado e derrotado diante uma situação que nunca prevera. Diante apenas 5 segundos, uma vida passou em sua mente derramada em mil lembranças. Lembranças que uma vez o fizera sangrar. Que o fizera jurar nunca mais revive-las.
Não havia um motivo para a fenix dessas lembranças. Nada do que algumas horas divagando alguns olhares. Olhares esses que não transmitiam sentimentos. Bons sentimentos. Talvez Paul não estivesse com disposição para tal transmissões pois sabia que a única coisa que poderia transmitir era uma lágrima de derrota e decepção naquele instante.
Mas o mundo não parou para ver Paul. O mundo, tão ingrato com pessoas perdedoras como Paul, continuou girando e girando. Girando em uma velocidade que feriu Paul no momento em que se viu obrigado a acompanha-lo. Acompanhar um mundo aonde várias vezes viu-se apunhalado em uma quina deserta e bem escura.
É. Boa sorte para você Paul. Perder algo em que você nunca possuiu de verdade dói menos.
Escrito por Xinim xinim às 18h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

jack sabe que nunca conseguirá ser o que sempre quis ser. e tenta disfarçar com contra-tempos inexistentes. assim, engana a tristeza junto com os fantasmas da solidão.
cuidado, jack. esses fantasmas somem às vezes. e sua tristeza ficará evidente.
Escrito por Xinim xinim às 16h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Eu só estou no céu ou Las Vegas É muito mais brilhantes que o sol é para mim Cocteau Twins
Com a confusa influência radiante de inspiração pelas longas páginas de contos, George F. tomava seu café. Sua xícara e seus cigarros eram, até então, sua melhor companhia enquanto seus amigos bebiam e se divertiam em um outro lado da cidade. Enquanto eles bebiam, George amargurava-se. Amargurava-se sem motivos. Mesmo?
Toda sua amargura e revolta poderiam o teletransportar a um mundo que não era seu - o mundo real. E o real o incomodava. Doía. Amargurava.
Quem poderá dizer que sua amargura, mesmo permanente em seu próprio mundo, refletia na pouca transição ao real. Geroge F., ainda machucado pelo real, andava cansado. E o que cansava nem ele mesmo sabia.
Acendeu outro cigarro. Observou a porta do café. Seus amigos ainda não haviam aparecidos. Além dos cafés e cigarros, a solidão o acompanhava, mas não a mesma solidão do mundo real. Sua solidão - no mundo de Geroge F. - era diferente. Talvez tão diferente quanto a solidão de cada pessoa, em cada universo, em cada eu.
Quem poderia dizer que George F. deveria conhecer alguém? Em um café lotado, ele ocupava o melhor lugar. E a maior mesa. E a melhor visão das pessoas. Quem sabe se a conversa com um estranho não diminuiria o nível do seu mundo. É, quem sabe? Mas não. George F. ainda prefere ficar sozinho. Sua amargura permanece dentro dele. E sua amargura já virara amor.
George F. foi embora.
Escrito por Xinim xinim às 20h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Todas as coisas que você tem Todas as coisas que você precisa Quem te compre cigarros... [Radiohead - Thinking About You]
Mark acordou com saudades. Ou talvez com um outro sentimento ou sensação de estar, lado a lado, com seu passado. Quem sabe?
E lá estava Mark. Sentado com seu cigarro e com sua última dose de vodka com uma pedra de gelo ainda boiando. Lá estava Mark, cheio de momentos que percorriam sua mente e o seu corpo. No calor que São Paulo oferecia, o cansaço e o tédio envolviam-no na vontade de mudar o mundo ou apenas explodi-lo.
Mark continuava com saudades. Saudades de pessoas queridas e importantes. Ou que já foram, em um outro tempo, queridas e importantes em sua vida. Saudades de se acabar em uma balada, gritando a letra de Creep como se fosse a última coisa que faria naquele momento. Saudades do lado social, de abrir um sorriso para alguém na rua e puxar um assunto. Saudades da vontade de ajudar os que precisavam, do desejo liberdade e do medo das descobertas e reações da sociedade.
Saudades de oportunidades que não foram aceitas. De ter aproveitado melhor os instantes de êxtase e prazer que apenas aqueles momentos lhe ofereciam. Saudades de relatar os sentimentos cotidianos em um caos metropolitano. Dos demônios que circulavam dentro de seu espírito nostálgico e de sua impulsividade.
Olhou para o lado. E lembrou de cada instante que seu quarto lhe proporcionou e proporcionava. Lembrara dos momentos alegres, com pessoas conversando assuntos a toa. Dos momentos cinematográficos com pipoca. Dos momentos dos desabafos dos amigos e das lágrimas descarregadas dos pesos da decepção. E de suas lágrimas na luta da solidão.
Mark precisava de um banho gelado. Para se libertar do calor e da nostalgia. Mark nunca quis perceber que sua saudade remete-lhe a uma vida que nunca teve. Ou de purezas momentâneas salgadas pelo triste desejo da surpresa acarretada de mudanças. Mas Mark, mesmo ansioso de mudanças, alegrara com a estabilidade.
...e Mark havia proibido a si mesmo de sonhar. Para continuar estável. Ou para apenas não sofrer mais. E Mark continuará com saudades.
Escrito por Xinim xinim às 23h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Vai que acontece eu chegar E aparar seu corpo antes do chão Ou, ao me ver, ainda no ar, Você criar asas Passar rasante assustando a platéia E pela mão, de repente, por descuido ou surpresa. Você me carregar pra qualquer canto
Dois em Um
Escrito por Xinim xinim às 14h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
BlogBlogs.Com.Br
Escrito por Xinim xinim às 11h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

(post dedicado para uma pessoa especial)
"Alguém pode ver a luz Onde a aurora encontra o orvalho e a maré sobe Você percebeu, ninguém pode ver dentro da sua visão Você percebeu porque essa visão pertence unicamente a você... e a mim!"
quando eu ouço portishead, me da vontede de.... ter você ao meu lado.
Escrito por Xinim xinim às 15h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Hoje e ontem Eu vesti meu pijama azul Fui direto pra cama Eu levanto as cobertas macias Fecho meus olhos Eu escondo minha cabeça debaixo das cobertas (Sigur Ros)
Candy certamente não sabia o que estava (ou o que ainda está) acontecendo. Oras, esteve na continência por algum tempo e, quando revolveu aparecer, perdeu-se totalmente. Não era pelo fato da entrega, mas sim do aparecimento. Dois fatos do mesmo assunto estava importunado em sua mente. Alguma discrepância ou rebeldia? Não.
Realmente, Candy não procurava nada. As coisas surgiram. Talvez pela nostalgia, ou talvez pela liberdade de um passado que deixou saudades - ou decepções. Não seria possível colocar nada na balança. Nem fazer calculos de vantagens/desvantagens. Apenas o medo da escolha. Candy pensa...
E ainda pensa. Sem respostas ainda!
(Para quem perguntou se o Humberto estava vivo, a resposta é sim. E em um novo blog. Logo mais...)
Escrito por Xinim xinim às 17h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Elephante - Gus Van Sant
Se tiveres que ir, não me diga adeus Se tiveres que ir, não chores Se tiveres que ir, eu aceitarei Um dia te seguirei e te verei no outro lado (From Martha - Smashing Pumpkis)
Não sei qual motivo de eu escrever. Só sei que isso me alivia. Alivia toda a tensão substimada a mim durante todo o tempo. Durante um cotidiano ingrato. Ingrato por ser normal. Patético. Sem vida e sem esperança. Vegeto simplesmente durante dias. Vago durante horas em pensamentos fúteis e banais. Sinto-me totalmente descartado.
não estou interessado em saber o que é real ou irreal. Desejo apenas viver na mais bela realista ilusão que sonho. Odeio confrontar-me com a realidade, pois sempre acabo machucado e seriamente ferido. O ódio que sinto por mim apetece mais o réquim dos meus anceios e minhas virtudes apenas morrem.
Padeço na conjuntura da realidade humana. Perco-me no labirinto mais temido da vida. Minha ânsia do fim cresce gradativamente conforme minhas quedas. Quedas que, por um bom tempo, estruturou-me ao que não era real. O belo irreal projetado à poucas distâncias nunca atingidas.
Nada de novo dentro desses meses de ausência. Continuo sendo esse Humberto. Esse pobre Humberto que se disfarça de manhã. E permanece com a máscara durante o dia. Tarde. Noite. É, Humberto. Eu te odeio. Do fundo do meu coração.
"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando" - Clarice Lispector
Escrito por Xinim xinim às 14h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

(Sebastião Salgado)
Eu vou segurar o seu rosto, e brindar a neve que caiu Pois os amigos não desperdiçam vinho Quando há palavras a serem vendidas
Jack não quer confiar mais em ninguém, Jack ... não quer.... Pois é. Jack quer ...largar o cigarro... Viver sem.. Sem depender de ninguém.. de todos. De todos que ama. Não quer a saudade. Não quer a distância do que anseia.. e deseja. ...deseja agora que tudo acabe. Acabe assim como acabou toda sua alegria... .. Jack está sozinho. E não quer Não queria. ...apenas.
Que seja verdade, um dia viveu.. .. percebeu a alegria em pequenas coisas... Coisas que não existem... não possui. .. Jack sabe que não possui. Não possui mais aquele sorriso dado há tempos... ... Não possui mais a vontade.. vontade que regava sua vida.. e a vivia.. a cada dia. momento. .. só.
E Jack tem o medo... ...sente a essência do fim. Da loucura presente. Só e só agora. Por que tudo isso, Jack? Ou melhor... abstenha-se de todos, Jack... ..pobre, Jack... Sonhos.. que já não são mais sonhados. nada desejado. Nem mesmo a vida. Nem mesmo ele. Nada e ninguém.
Mas por favor Jack. Não morra. não...
morra logo!
Escrito por Xinim xinim às 13h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Diga a ela que você está procurando por sua alma Você pode esperar por eras Observar seu adubo virar carvão O tempo é contagioso Todos estão ficando velhos (Coconuts Skins - Damien Rice)
Há dias em que sentimo-nos a pessoa menos interessante do mundo. Quem sabe a pessoa mais desinteressada em qualquer assunto que fosse discutido. Triste. Will cogitou todas as possibilidades possíveis para tentar reverter seus últimos pensamentos. Quem sabe, pudesse reverter a sua vida, mutuá-la. Deixa-la livre do tédio. Livre de todos esses monstros que saíam de seu armário, raptando seus anseios vitais. Anseios simples de viver.
Enquanto andava e bagunçava seu cabelo, Will percebia a expressão de cada pessoa com quem cruzava-se. Cada um em sua solidão. Em uma cidade tão grande, acabamos por não conhecer as pessoas tão comuns no cotidiano. É. Enquanto nos lotamos de atividades, todas relacionadas a ganhos profissionais, esquecemos de coisas banais – como assim conhecer pessoas.
Sozinho. Will era como uma dessas pessoas esquecidas. Em pleno domingo à tarde, de repente, uma vontade de contar como foi seu final de semana. A quem? Lembrou-se que não fora interessante. Nem chato. Apenas normal. Na verdade, Will só queria sair um pouco daquele estado só. Will ainda não percebeu que provavelmente o destino queria-o assim. E ainda quer. Mas fará bem não saber. Algumas verdades estão escondidas. Justamente para não serem descobertas. Isso machuca. Dói.
Will estava ferido. E sozinho. E só.
Escrito por Xinim xinim às 10h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

if we can't see now, we might never see we only kill ourselves more slowly if you can't find love, then you will finally see how we kill ourselves slowly (If We Cannot See - Devics)
Kevin estava sozinho em seu quarto. Enquanto as outras crianças corriam uma atrás das outras, ele estava lá. Quieto, sentado em sua cadeira, abraçado a um grande ursinho de pelúcia. Ele não se sentia bem. Sabia que não estava doente. Sua mãe medira sua febre na noite anterior. Mas, algo o machucava. Algo apertava seu peito. Lembrava que a professora apontava a região do coração. Era claro para o pequeno Kevin. Ele estava doente. Doente do coração. Quanto mais pensava nisso, mais abraçava o Tristonho, seu urso.
As coisas andavam ao contrário para Kevin. Sempre o menino bonzinho da escola. Nunca aprontou nenhuma travessura. Nunca brigou com nenhum colega, tanto menos gritou com a professora. Seu caderno era o mais invejável de todos. Sabia ler as palavras mais difíceis. Era o que nunca errava nos ditados. Único também que sabia a tabuada do 7. Era elogiado pelas mães daqueles bagunceiros anarquistas do fundo. Em sua lancheira sempre continha o lanche que sua mãe preparava – com manteiga, queijo e presunto. E uma maçã. É. O menino perfeito. E, enquanto seus amigos imperfeitos brincavam, Kevin ficava sozinho. Ele e Tristonho.
Já havia perdido as contas de quantas vezes pedira para Tristonho arrumar um amigo. Seria legal ter mais um. Mas tudo o bloqueava. A sensação de vazio o incomodava. Sempre desprezado, pensava que isso seria para sempre. E sempre foi vilipendiado. Esquecido nos trabalhos em grupo. Os fazia sempre sozinho. Não se importava. É, quase nunca se importava. Sempre passava o intervalo de aula sozinho.Não se importava. É, quase nunca se importava. Sempre saía da escola sozinho. Não se importava. É, quase nunca se importava. Mas, naquele dia, Kevin importou-se.
Sentiu um menino feio. Um menino estranho, diferente. Não queria ninguém. Não quis fazer sua lição de casa. Queria apenas ficar olhando pela janela. E olhando, olhando, olhando. Talvez ninguém deu a verdadeira importância para a solidão de uma criança. Talvez nunca ninguém notou verdadeiramente o pequeno Kevin, que vivia sozinho em seu mundo. Isolado de todos. E de tudo. Kevin sentiu-se verdadeiramente sozinho. Abraçou o Tristonho. E chorou. Derramou lágrimas que segurava há anos. Tentou parar, mas não conseguia. Era necessário tirar todo aquele liquido que representava a solidão e a tristeza. Tristonho ficou úmido – e foi o único que presenciou essa cena.
Depois de 14 anos, Kevin lembrou-se dessa cena. Voltou do serviço, abriu os armários de seu quarto... E abraçou o Tristonho. Soltou um sorriso bobo, com os cantos dos olhos já úmidos. E descobriu o que era aquela dor no coração. Podre Kevin. Esse vazio que sentia sobrevive dentro dele há anos.
Coragem, Kevin. Tristonho confia em você.
Escrito por Xinim xinim às 15h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Imagem: busca da internet. sem fonte.
Bem, eu sei que faço você chorar E eu sei que às vezes você quer morrer Mas você se sente realmente viva Sem mim? Se sim, então se sinta livre Se não, deixe-o e venha para mim (Damien Rice - Accidental Babies)
Rice andava sozinho. Apenas ele. Ele e o medo do esquecimento. E o medo de ficar sozinho. Estranho, Rice andava pensativo ultimamente. De momentos em momentos, flagrava-se com esses medos. Olhava o reflexo do espelho. Tentava resgatar aquele “Rice” antigo. Sim sim, aquele Rice que fazia todos rirem. Aquele Rice forte, onde todos se apoiavam. Aquele Rice que suportava todas as dores em pé. E que o atual Rice não agüenta nem mais aquele vento forte que batia em seu rosto.
Rice estava mal. E talvez ainda continue mal. Rice sempre soube de seus problemas. Sempre soube também de seu tempo de vida. Mas, ultimamente, as palavras dos médicos em que já o consultou repetiam em sua mente. Não era o medo de morrer. Todos irão morrer. O medo de morrer sozinho. O medo de viver seus últimos momentos apenas por viver. Viver assim como estava vivendo. Para quê? Para quem? Para ele? Apenas? Sim. Rice estava sem nenhuma perspectiva. Nada o estimulava. Ninguém o satisfazia. Nada e ninguém.
Rice ligou seu Mp3 Player. Takk do Sigur Ros. Aquele som experimental o fazia bem. Aumentou ao máximo. Conseguia ouvir todas as batidas. Todos os instrumentos que juntos soavam de forma singular assim como o vento batia nas árvores da praça em que estava. Assim como aquelas crianças brincavam no balanço. Assim como aqueles senhores jogavam dominós. Assim como aquele cachorro que estava deitado olhava para Rice. O cachorro olhava com seus olhos fundos. Triste. Bem provável percebeu a tristeza em que Rice encontrava-se. E Rice percebeu a solidão do cachorro.
Rice sentou num banco qualquer. Fechou seus olhos – já bem úmidos naquele momento. Não ouvia nada – a não ser a música. E, em determinado momento, no clímax da música, Rice não sentiu seus pés. Não sentiu o chão. O vento bateu forte. Rice levantou a cabeça. Mexia lentamente as pontas dos seus dedos das mãos. Seu pescoço estralou. “Ótimo” foi o que Rice disse. Abriu seus olhos e escorreu uma lágrima.
Adentrou suas mão ao bolso e pegou a ultima balinha de menta que tinha. Levantou daquele banco. E continuou andando - sem rumo, sem direção. E sem vontade.
É, Rice. Você anda estranho. Preocupa-se demais com todos. Com tudo. Finge ser o tempo todo uma pessoa que não é. Que não existe. E você irá morrer em breve, Rice. Provavelmente sozinho.
Você tem apenas 20 anos, Rice. 20 anos.
Escrito por Xinim xinim às 10h39
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |